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Acessibilidade Digital

Linguagem Simples: entender também é ter acesso

Uma informação pode estar publicada, tecnicamente correta e disponível 24 horas por dia. Ainda assim, pode não cumprir sua função. Basta pensar em quantas vezes alguém acessa um site e encontra uma explicação repleta de termos técnicos, uma orientação excessivamente burocrática ou um formulário cuja instrução precisa ser lida várias vezes antes de fazer sentido. O conteúdo está ali, mas será que a pessoa realmente conseguiu compreendê-lo?

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Uma informação pode estar publicada, tecnicamente correta e disponível 24 horas por dia. Ainda assim, pode não cumprir sua função. Basta pensar em quantas vezes alguém acessa um site e encontra uma explicação repleta de termos técnicos, uma orientação excessivamente burocrática ou um formulário cuja instrução precisa ser lida várias vezes antes de fazer sentido. O conteúdo está ali, mas será que a pessoa realmente conseguiu compreendê-lo?
Em 13 de outubro, Dia Internacional da Linguagem Simples, essa pergunta ganha ainda mais relevância. A data chama atenção para uma comunicação que permita às pessoas encontrar aquilo de que precisam, compreender a informação e utilizá-la. No ambiente digital, isso também é uma questão de acessibilidade.

Linguagem simples não significa linguagem pobre
Talvez um dos maiores equívocos seja acreditar que simplificar significa retirar informações importantes, infantilizar o leitor ou abandonar termos técnicos. A linguagem simples é, na verdade, uma forma de organizar e apresentar informações considerando quem precisa utilizá-las.
Essa discussão ganhou ainda mais força no Brasil com a Lei nº 15.263/2025, que instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples. A legislação define linguagem simples como um conjunto de técnicas destinadas à transmissão clara e objetiva de informações, considerando palavras, estrutura e leiaute para que o cidadão consiga encontrar, compreender e utilizar aquilo que foi comunicado.
A lei determina sua adoção na comunicação da administração pública direta e indireta dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Entre seus objetivos estão facilitar o acesso aos serviços públicos, reduzir a necessidade de intermediários na comunicação entre governo e cidadão, diminuir custos e tempo de atendimento e facilitar a compreensão da comunicação pública por pessoas com deficiência.
E não se trata apenas de trocar palavras difíceis por palavras fáceis. Entre as práticas previstas estão utilizar frases em ordem direta, desenvolver uma ideia por parágrafo, preferir palavras conhecidas pelo público, explicar termos técnicos e jargões quando forem necessários, escrever o nome completo antes das siglas e organizar as informações de maneira adequada ao conteúdo.

Quando é preciso alguém para “traduzir” uma informação
Imagine uma pessoa entrando no portal de uma instituição para descobrir quais documentos precisa apresentar. A resposta existe, mas está escrita de maneira tão técnica que ela lê, volta ao início, pesquisa uma palavra e, no fim, precisa telefonar ou pedir ajuda a outra pessoa.
Nesse momento surge uma pergunta importante: se a informação estava disponível, por que foi necessário outro ser humano para explicá-la?
Esse problema não está restrito aos órgãos públicos. Uma instituição financeira pode apresentar corretamente as condições de determinado serviço e ainda assim não ser compreendida pelo cliente. Uma universidade pode publicar todas as regras de matrícula e continuar recebendo as mesmas dúvidas. Uma clínica pode disponibilizar orientações online e receber ligações porque os pacientes não entenderam o procedimento. Uma empresa pode criar uma página detalhada sobre um produto e ainda precisar explicar tudo novamente no atendimento.
Quando isso acontece repetidamente, talvez o problema não seja falta de informação. Pode ser a maneira como essa informação foi construída.

Compreensão também faz parte da acessibilidade
Quando pensamos em acessibilidade digital, é comum lembrarmos primeiro de barreiras relacionadas à visão, audição ou mobilidade. Mas existe outra dimensão fundamental: compreender aquilo que está sendo apresentado.
As orientações de acessibilidade para conteúdos digitais também consideram questões relacionadas à compreensão. Recomendações como evitar jargões desnecessários, utilizar linguagem objetiva, organizar adequadamente as informações e tornar instruções mais claras ajudam a reduzir barreiras cognitivas e tornam a experiência mais simples para públicos diversos.
Isso muda bastante nossa percepção sobre o que significa oferecer uma experiência digital acessível. Conseguir entrar em uma página não significa necessariamente conseguir utilizá-la. Se a pessoa encontra a informação, mas não entende o que ela significa ou o que deve fazer em seguida, ainda existe uma barreira entre o conteúdo e o usuário.

Complexidade também pode virar custo
Para empresas e instituições, existe ainda uma consequência operacional. Imagine uma organização que recebe centenas de contatos perguntando algo que já está explicado no site. A primeira reação pode ser ampliar o atendimento, criar novas respostas automáticas ou produzir outro FAQ. Antes disso, porém, talvez seja necessário perguntar: por que as pessoas continuam com a mesma dúvida?
Se uma informação existe, mas uma parcela do público não consegue encontrá-la ou compreendê-la, a complexidade pode gerar mais chamados, mais tempo de atendimento, erros de preenchimento, abandono de processos e maior dependência do suporte. A própria Política Nacional de Linguagem Simples relaciona uma comunicação mais compreensível à redução de tempo e custos administrativos associados ao atendimento ao cidadão.
No setor privado, a lógica também merece atenção. Facilitar a compreensão pode reduzir atritos ao longo da jornada e ajudar o usuário a tomar decisões e realizar tarefas com maior autonomia.

As palavras também fazem parte da experiência
Existe uma tendência de pensar na experiência do usuário apenas como aquilo que a pessoa vê e faz: onde está o botão, quantos cliques são necessários ou quanto tempo uma página demora para carregar. Mas as palavras também fazem parte da interface. “Prosseguir”, “solicitar”, “confirmar”, “indeferido” ou “elegibilidade” são termos que exigem diferentes níveis de interpretação dependendo do público e do contexto.
Em um serviço complexo, isso se multiplica em instruções, mensagens de erro, contratos, descrições, formulários, menus e etapas. Uma interface visualmente impecável pode oferecer uma experiência ruim simplesmente porque o usuário não entende o que precisa fazer em seguida.
Por isso, a linguagem simples não deveria ser uma preocupação exclusiva de quem escreve textos. Ela envolve comunicação, design, experiência do usuário, atendimento, tecnologia e acessibilidade.

Simples não significa igual para todo mundo
Também não existe uma fórmula capaz de transformar qualquer conteúdo em algo universalmente compreensível. O público, o contexto e a finalidade da informação importam. Um conteúdo médico destinado a profissionais terá necessidades diferentes de uma orientação destinada a pacientes. Um documento jurídico técnico não é igual a uma página criada para explicar ao cidadão como solicitar determinado serviço.
A pergunta que deve orientar a comunicação é: quem precisa entender essa informação e o que essa pessoa precisa conseguir fazer depois? O objetivo não é eliminar a complexidade de assuntos que são naturalmente complexos. É impedir que a própria forma de comunicar crie dificuldades desnecessárias.

Tecnologia e compreensão podem caminhar juntas
É justamente nesse ponto que a discussão encontra a Rybená. Entre as tecnologias disponibilizadas pela empresa estão recursos voltados à leitura e à compreensão de conteúdos digitais, incluindo soluções de simplificação de textos. A proposta é ampliar as possibilidades para que diferentes usuários consigam acessar e compreender informações de acordo com suas necessidades.
Isso reforça uma característica importante do trabalho da Rybená: a acessibilidade digital vai muito além da Libras. Ela também envolve leitura, compreensão, navegação, interação e autonomia.
A tecnologia pode ser uma aliada importante nesse processo, mas não substitui a responsabilidade das organizações de produzirem conteúdos claros desde a origem. Ela acrescenta novas possibilidades de acesso e compreensão dentro de uma estratégia mais ampla de acessibilidade.

Se o usuário não entendeu, a comunicação funcionou?
O Dia Internacional da Linguagem Simples deixa uma reflexão importante para empresas, governos e organizações. Durante muito tempo, comunicar significou simplesmente disponibilizar uma informação. Hoje, precisamos ir além da pergunta “Nós publicamos essa informação?” e começar a perguntar: “As pessoas conseguem encontrar, compreender e utilizar essa informação?”
Essa diferença pode separar uma comunicação que apenas existe de uma comunicação que realmente funciona. No ambiente digital, compreensão também é acesso.

Conheça a Rybená na prática
A Rybená reúne tecnologias voltadas a diferentes necessidades de leitura, compreensão, navegação e interação digital. Quer conhecer os recursos disponíveis? Acesse o site da Rybená e clique em “Começar teste grátis” para solicitar seu teste gratuito de 7 dias.

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